quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dor de parto

Ontem a noite cheguei em casa e me deitei ao lado da Alice. Na mesma hora ela já se aproximou, como de costume, e começou a dizer, toda manhosa, que estava triste. Pela sua voz e jeito, era mais um um "dengo" do que a tristeza que ela dizia sentir. Logo perguntei o porquê daquela fala. Mais uma vez com vozinha manhosa, ela me explicou e, por fim, lamentou: "Ai, que dor do parto!"

Se não fosse eu a ouvinte daquele lamento, com certeza a frase convenceria, devido a tamanha propriedade com que falou. Não pude deixar de capturar o momento para registrar aqui!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Diminutivos

Quando pequena, Alice tinha problemas em entender e diferenciar as palavras no diminutivo e aquelas que, naturalmente, no infinitivo mesmo, pareciam também estar "dimunuídas". Explicando melhor, para ela, as galinhas eram "galas" e os golfinhos eram "golfos". Daí surgiram outros problemas. A avó, Terezinha (o nome é esse mesmo), virou "vovó Tereza". A sombrinha virou "sombra". E sombra agora tinha mais de um significado.

Não foi nada fácil entender seu dialeto, mas acabamos por nos acostumar.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

"Pingo"

No sábado eu e minha mãe comentávamos sobre uma pessoa que sofria de gota. Alice estava ao lado, bem atenta a tudo que dizíamos. Assimilou tudo e guardou na caxola. No dia seguinte, quando andávamos no shopping, voltando do cinema, vimos um homem andando com certa dificuldade. Imediatamente, a pequena afirmou cheia de certeza e compaixão: "Coitado. Ele deve ter "pingo". Por isso anda assim."

O principal ela aprendeu, só faltou lembrar do nome correto.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Bom senso

Alice andava falando, toda serelepe, de um garoto pelo qual estava bem interessada. Descrevia as qualidades do sujeito com brilho nos olhos e pulinhos de animação. Esse episódio se repetiu algumas vezes, até que tirou férias por aproximadamente uma semana. Em substituição, ela arranjou outro sortudo para lhe trazer a animação novamente. Ainda um pouco confusa com a mudança de personagens, perguntei-a pela paixão anterior. Ela me respondeu, com ar de desprezo e preguiça: "Ah, Lena. Ele é bonito, simpático e tal... ACHEI que fosse inteligente, mas descobri que gosta de Restart."

Pronto! Explicação melhor não haveria. Dei-lhe inteira razão para a mudança de preferência.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Vocação: MÃE!

Certa vez, por volta dos 9 anos de idade, Alice me disse que nunca teria um "filho nascido da sua própria barriga" (palavras dela). Explicou o nojo que tinha em gerar aquele ser. Exaltou que, se já possuía enorme asco de um beijo na boca, como poderia fazer mais do que isso?? Entretanto, não queria ficar sem filhos, pois acreditava que uma das suas características mais fortes era a da vocação para ser mãe (ps: refletia sobre isso aos NOVE anos. Acho que nessa época eu sequer falava sobre esse assunto). Sendo assim, anunciou sua decisão: "Vou adotar!"

Dias depois, muito triste e cabisbaixa, ela me apresentou alguns papéis e me disse: "Estou acabada. Pesquisei e descobri que não sou apta a adotar uma criança. Eu ainda nem tenho 18 anos, quanto mais um renda fixa". Achando aquilo engraçado e trágico ao mesmo tempo, não soube o que fazer. Abracei-a e segurei ao máximo as gargalhadas que estavam em mim engasgadas.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Alice e suas maravilhas

Alice Moreira é minha irmã, cronologicamente 7 anos mais nova que eu. Por outros aspectos ela pode assumir a idade e o tamanho que quiser, sem sombra de qualquer problema. As divertidas palavras da minha irmã, divididas entre seus pensamentos mais complexos e absurdos precisam de um lugar para serem guardadas. Além disso, é justo que sejam compartilhadas essas loucuras, através das palavras aqui escritas por um dos seres que mais à ama. Divirta-se!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Equinelmintos

O espírito "Guimarães Rosa" da Alice talvez seja sua característica mais predominante. Sempre muito falante e espontânea, minha irmã nunca deixou de se expressar porque não sabia como dizer aquilo que queria.

Além disso, sua confusão com as raízes das palavras fortalece essa tendência de inventar palavras.

Certo dia disse à ela, em mais uma das minhas mentirinhas para pegá-la de surpresa, que não existia cabeça de bacalhau. Que esse era um ser de fato sem cabeça. Logicamente ela não acreditou e me disse, debochando da minha inteligência, que todo animal possuia cabeça e que, sendo o bacalhau um peixe, esse com toda certeza tinha sua cabeça. Começou então à dar inúmeros exemplos e outros seres com cabeça quando, de repente, parou de falar. Depois de uma breve pausa exclamou: "Estrela do mar não tem cabeça!".

Tentei confundí-la novamente, alegando a minha razão, quando ela se lembrou de que estrela do mar não era considerada pertencente ao reino dos animais e disse bem alto: "Já sei!! Estrela do mar não tem cabeça porquê é 'Equinelminto'!!".

Ela mesma percebeu o erro da palavra que dissera e a nossa "risadaria" não parou tão cedo.