O espírito "Guimarães Rosa" da Alice talvez seja sua característica mais predominante. Sempre muito falante e espontânea, minha irmã nunca deixou de se expressar porque não sabia como dizer aquilo que queria.
Além disso, sua confusão com as raízes das palavras fortalece essa tendência de inventar palavras.
Certo dia disse à ela, em mais uma das minhas mentirinhas para pegá-la de surpresa, que não existia cabeça de bacalhau. Que esse era um ser de fato sem cabeça. Logicamente ela não acreditou e me disse, debochando da minha inteligência, que todo animal possuia cabeça e que, sendo o bacalhau um peixe, esse com toda certeza tinha sua cabeça. Começou então à dar inúmeros exemplos e outros seres com cabeça quando, de repente, parou de falar. Depois de uma breve pausa exclamou: "Estrela do mar não tem cabeça!".
Tentei confundí-la novamente, alegando a minha razão, quando ela se lembrou de que estrela do mar não era considerada pertencente ao reino dos animais e disse bem alto: "Já sei!! Estrela do mar não tem cabeça porquê é 'Equinelminto'!!".
Ela mesma percebeu o erro da palavra que dissera e a nossa "risadaria" não parou tão cedo.
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